Automatização x emprego: o que se esperar dessa revolução?

A crescente automatização nas indústrias e empresas, fruto da novíssima revolução industrial / tecnológica, tem suscitado um debate importante e interessante: afinal, os robôs e a inteligência artificial vão extinguir postos de trabalho em larga escala ou podemos esperar um horizonte um pouco menos sombrio?

É tudo uma questão de prisma; da velha história do copo, meio cheio, meio vazio, visto que, em detrimento à tão propagada tese de que a modernização vai acabar com a era do emprego, há uma linha de pensamento e um estudo recente que analisam os fatos de uma outra forma.

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No artigo com o impactante nome de Robocalypse NowA maior produtividade é uma ameaça ao emprego?, David Autor e Anna Salomons, do MIT e da Universidade de Utrecht, respectivamente, fazem uma análise do que aconteceu em diversos países durante 35 anos.

E, ao contrário dos pessimistas quanto à quantidade de cargos que poderão ser extintos, os autores do estudo apontam para um outro aspecto: o empobrecimento da classe média!

Diz Salomons: “Não há nenhuma razão que nos faça pensar que essa tendência irá mudar nos próximos anos. A nova revolução tecnológica não impedirá a criação de novos empregos. E continuará colocando a desigualdade como um dos grandes desafios da sociedade”.

O que ela aponta, é que a crescente tecnicização irá, sim, gerar diminuição nos postos em alguns setores, principalmente na indústria, mas que o acúmulo de capital, fruto dos ganhos em produtividade, servirá para fomentar a criação de outros cargos, reabsorvendo muitos dos que se tornaram obsoletos.

O prejudicial nessa tese, é a constatação de que, na maioria dos casos, essa reabsorção virá com salários inferiores aos que os trabalhadores recebiam, causando assim a depauperação das finanças de uma grande massa de pessoas.

O estudo calcula que, em 1970, a renda do trabalho correspondia a 66,2% dos rendimentos totais, caindo a 62,7% em 2007, o que comprova a diminuição acelerada, ainda mais se levarmos em conta apenas nosso século.

Outro grande temor é de que essa nova revolução, da robótica, algoritmos e inteligência artificial, seja tão rápida que não permita uma reação similar pela indústria, gerando assim o que eles chamam de “esvaziamento das classes médias” o que nada mais é do que o estrangulamento da pirâmide de renda, concentrando a grande maioria na base, com salários menores e deixando uma casta privilegiada, com conhecimento e formação superiores, no topo.

É um tema complexo e muito amplo, cabendo a cada setor, cada empregador e cada formador de mão de obra, analisar com calma os possíveis impactos e em quanto tempo sua categoria pode se tornar defasada tecnológicmante e agir para, primeiramente sobreviver mas, também, garantir emprego e dignidade aos trabalhadores e à população em geral.

É um “plano de carreira” para a humanidade projetar para o futuro.

Link para a matéria do El País: https://brasil.elpais.com/brasil/2018/03/31/economia/1522517546_838136.html


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