Mário Francisco Sardinha Giovanni, CEO da Ledware, falou em entrevista ao Valor Econômico sobre a viabilidade de meios de pagamentos vestíveis

Saem de cena o dinheiro de papel e o cartão de crédito e entram o celular, o relógio, a pulseira, o anel, o chaveiro e o que mais a imaginação permitir. Os dispositivos vestíveis, ou wearables, como meios de pagamento prometem ser o começo de uma revolução tecnológica rumo ao pagamento por biometria e reconhecimento facial.

Globalmente, de acordo com a Mastercard, uma de cada cinco transações feitas de forma presencial já é feita sem contato. Até 2022, a expectativa é que o mercado desse tipo de pagamento cresça 24% por ano. No Brasil, 2.700 cidades já estão aptas a realizar pagamentos via dispositivos vestíveis.

Com limite inicial de R$ 50 para transações sem senha, os pagamentos por aproximação são ideais para transações de baixo valor e situações que requerem maior velocidade de pagamento para diminuir filas, uma vez que levam cerca de meio segundo para serem concluídas e são sete vezes mais rápidas que os pagamentos com chip e PIN tradicionais.

Ainda de acordo com dados da Mastercard, a cidade de São Paulo é líder no número de transações sem contato com 230 mil transações realizadas em setembro deste ano. No Brasil, esse tipo de pagamento cresceu 344% no comparativo entre o segundo semestre de 2017 e o primeiro de 2018.

“Lançamos o primeiro wearable nas Olimpíadas, em 2016, mas mais importante que o dispositivo é o que está por trás: segurança, experiência do consumidor e universalidade, já que é possível usá-lo em qualquer lugar do mundo. Estamos testemunhando a desconstrução do plástico”, diz Percival Jatobá, vice-presidente de Produtos, Soluções e Inovação da Visa.

De acordo com pesquisa da consultoria Wordplay feita no final de 2017, 87% dos brasileiros se dizem preparados para fazer compras por meio de dispositivos conectados. Segundo Jatobá, o wearable tem um nicho bastante específico. “A pulseira, por exemplo, tem caráter mais esportivo. Cada pessoa vai poder escolher o acessório com o qual mais se identifica”, diz.

A CSU.CardSystem, divisão da CSU responsável pelas atividades de processamento e administração de meios eletrônicos de pagamento, recentemente lançou, por meio da plataforma CSU.Digital, pulseiras, adesivos e relógios integrados e 100% gerenciáveis pelo aplicativo mobile da CSU.Digital.

“A plataforma, junto com a segurança e parametrização, disponibiliza controle e autonomia para o consumidor que pode habilitar e desabilitar o uso do seu cartão de plástico, assim como o uso do wearable como e onde quiser”, explica Anderson Olivares, diretor executivo da divisão. “Nosso objetivo é propiciar uma experiência completa, uma jornada digital para um novo tipo de consumidor”, diz.

Mário Sardinha Giovanni, CEO da desenvolvedora de software Ledware, vê os vestíveis com cautela. “Já nasceram ultrapassados. O uso do celular faz sentido, mas o da pulseira, por exemplo, só faz sentido em eventos isolados. Não vejo seu uso se expandindo muito. O futuro está no pagamento via biometria ou reconhecimento facial. Para isso, ainda precisamos de muito avanço tecnológico”.

Para Guto Ferreira, presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), a principal discussão é sobre a segurança dos dados. “A nova tecnologia de meios de pagamento sem contato só sobreviverá se tiver credibilidade. Tudo estará na nuvem e garantir a segurança será o grande desafio”, afirma. Por enquanto, ele também considera os dispositivos sem contato como acessórios intermediários. “Serão de rápida passagem. Você ser o seu próprio meio de pagamento é o futuro”, prevê.

Fonte: Valor


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