6 meses de fase de testes da Reforma Tributária em 2026: balanço do que aprendemos e o que vem agora

A Reforma Tributária completa em junho de 2026 seis meses de fase de testes. CBS e IBS já existem juridicamente, alíquotas simbólicas estão em vigor (IBS 0,1% / CBS 0,9%), e a apuração informativa segue ativa. É hora de fazer o balanço: o que funcionou, o que travou, e o que escritórios contábeis devem priorizar no segundo semestre para chegar a 2027 prontos.

Este resumo traz a leitura honesta dos primeiros seis meses, baseada em padrões observados no mercado contábil brasileiro — sem otimismo nem alarmismo. É leitura essencial para quem ainda está empurrando a adaptação para depois.

O que funcionou nos primeiros 6 meses

Três pontos positivos consolidados: (1) integração técnica da NF-e com os novos campos rodou na maior parte das Sefazes; (2) sistemas contábeis modernos atualizaram para cClassTrib, alíquotas simbólicas e apuração informativa sem grande trauma para o usuário final; (3) a suspensão da multa por falta de destaque deu o respiro necessário para empresas se acertarem.

Para entender melhor essa suspensão, vale revisitar nosso conteúdo sobre multa por falta de CBS e IBS na NF-e suspensa em 2026.

O que travou (e ainda trava)

Três pontos de atrito:

(1) NFS-e em municípios que ainda não adaptaram seus portais — algumas prefeituras ficaram atrás. Empresas precisam emitir com workaround, e a apuração informativa fica parcial.

(2) Plano de contas referencial das empresas — muitas ainda não tinham mapeado as contas novas de CBS/IBS, gerando dificuldade na geração de relatórios de apuração informativa.

(3) Equipes contábeis sobrecarregadas — calendário fiscal pesado + Reforma + ajuste a NTs frequentes criou pressão real sobre escritórios menores.

O que ficou claro sobre 2027

Em 2027, CBS entra em vigor com alíquota plena. PIS e Cofins desaparecem. ICMS e ISS começam a reduzir gradualmente. O que aprendemos com os 6 primeiros meses indica:

Empresas que parametrizaram o sistema em 2026 vão atravessar 2027 sem trauma. Empresas que deixaram para 2027 vão correr atrás de prejuízo enquanto a Receita aplica multas.

Para o cronograma completo da transição 2026-2033, vale a leitura sobre Reforma Tributária: o que os escritórios contábeis precisam se preparar agora.

O que priorizar no 2º semestre de 2026

Quatro frentes essenciais até dezembro:

(1) Auditar a apuração informativa de cada cliente — números fazendo sentido? Sem brancos? Sem números absurdos?

(2) Ajustar plano de contas para acomodar CBS/IBS — criar contas de “a recolher” e “a recuperar”, sinalizar PIS/Cofins como “em transição”.

(3) Comunicar clientes sobre o impacto de 2027 — preços, contratos, margem. Quem antecipou a conversa em 2026 fecha 2027 sem renegociação às pressas.

(4) Investir em sistema atualizado — fornecedor que demora 60 dias para subir uma NT é peso morto. Em 2027, isso vira multa direta.

Conclusão

Seis meses de fase de testes mostraram que a Reforma Tributária está caminhando. Não é apocalipse nem milagre — é projeto técnico longo, que premia quem se prepara e cobra de quem deixa para depois.

Em junho, vale parar 1 dia e fazer o balanço: sua empresa (ou seu escritório) está pronta para 2027? Se a resposta é “ainda falta muito”, você ainda tem 6 meses. Use bem.

Leitura recomendada: Reforma Tributária já começou: entenda a fase de testes em 2026 e o que muda na prática.

Leitura recomendada (atualização junho/2026)

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