ANPD avança na regulação da IA: o que contadores precisam saber

Inteligência artificial já faz parte da rotina dos escritórios, mas uso de dados, segurança e governança começam a ganhar ainda mais importância

A regulação da inteligência artificial no Brasil está avançando e isso também interessa diretamente aos escritórios contábeis. Enquanto empresas utilizam IA para analisar documentos, produzir textos, organizar informações e automatizar tarefas, a ANPD amplia sua atuação sobre os riscos relacionados ao uso dessas tecnologias.

Em agosto de 2026, a Agência publicou uma nova metodologia para o Sandbox Regulatório de Inteligência Artificial e Proteção de Dados. O projeto permite testar soluções em um ambiente controlado e avaliar aspectos como transparência, explicabilidade, segurança e proteção de dados pessoais.

Na prática, isso significa que a discussão deixou de ser apenas “a IA será regulamentada?” e passou a ser “como sua empresa está usando IA hoje?”.

Regulação da inteligência artificial: por que o contador deve prestar atenção?

O escritório contábil trabalha diariamente com informações financeiras, fiscais, cadastrais e pessoais.

Ao utilizar uma ferramenta de inteligência artificial, parte desses dados pode entrar em sistemas externos. Por isso, o contador precisa saber quais informações estão sendo utilizadas, para qual finalidade e quais controles existem sobre esse tratamento.

A ANPD aponta justamente preocupações relacionadas ao uso de dados pessoais para finalidades diferentes das inicialmente previstas, à falta de transparência e aos vieses discriminatórios.

Assim, utilizar IA sem estabelecer regras internas pode criar riscos que vão muito além da escolha de uma ferramenta.

O Sandbox da ANPD pode mudar a forma como empresas usam IA

O Sandbox Regulatório funciona como um ambiente experimental supervisionado.

Dessa forma, a ANPD consegue acompanhar soluções inovadoras, observar riscos e produzir evidências antes de aperfeiçoar sua atuação regulatória.

A metodologia publicada em agosto avalia, entre outros pontos:

  • transparência;
  • explicabilidade;
  • proteção de dados;
  • segurança;
  • gestão de riscos;
  • evidências técnicas.

Além disso, a Agência já publicou os primeiros resultados do projeto-piloto, que acompanha soluções de IA em ambiente regulado.

O problema não é usar IA. É usar IA sem controle

Imagine um escritório utilizando uma ferramenta de IA para revisar contratos, resumir documentos ou analisar informações de clientes.

A ferramenta pode economizar tempo.

Entretanto, antes de inserir qualquer dado, o escritório precisa avaliar se aquela informação deveria ser compartilhada com a plataforma.

Um CPF, um dado bancário ou uma informação financeira não devem receber o mesmo tratamento de um texto genérico.

Por isso, a primeira pergunta não deveria ser apenas:

“Qual IA é melhor?”

A pergunta mais importante é:

“Quais dados podemos colocar nela?”

IA na contabilidade exige governança

A governança de IA começa com regras simples.

O escritório pode definir quais ferramentas estão autorizadas, quais informações podem ser utilizadas e quem pode acessar cada recurso.

Além disso, vale registrar os principais usos da IA e estabelecer responsáveis pelo acompanhamento.

Esse cuidado se torna ainda mais importante porque a ANPD considera a governança e a proteção de dados elementos relevantes para avaliar sistemas de inteligência artificial.

ANPD já monitora ferramentas de IA generativa

A discussão também ganhou um componente concreto de monitoramento.

Em agosto, a ANPD informou que passou a avaliar plataformas digitais e ferramentas de IA generativa. Entre as ferramentas acompanhadas estão ChatGPT, Gemini, Claude, Copilot, DeepSeek, Meta AI e Perplexity.

Portanto, empresas que utilizam essas tecnologias precisam acompanhar a evolução das orientações da Agência.

Isso não significa que o uso dessas ferramentas seja proibido. Ao contrário, a própria ANPD busca criar condições para que a inovação avance com proteção dos direitos fundamentais.

O que um escritório contábil deve fazer agora?

A preparação pode começar antes de qualquer nova regulamentação definitiva.

Primeiramente, faça um levantamento das ferramentas de IA utilizadas pela equipe.

Depois, identifique quais tipos de dados entram nessas plataformas.

Em seguida, estabeleça regras para informações pessoais, financeiras e sigilosas.

Também vale revisar contratos e fornecedores de tecnologia e definir quem será responsável pela governança.

Por fim, acompanhe as publicações da ANPD e atualize as regras internas conforme novas orientações surgirem.

E os sistemas contábeis nessa mudança?

A discussão sobre IA também reforça uma necessidade que o contador já conhece: dados organizados são fundamentais para qualquer processo tecnológico.

Quanto mais informações ficam espalhadas em planilhas, arquivos e sistemas diferentes, mais difícil se torna controlar acesso, corrigir inconsistências e saber exatamente onde os dados estão.

Além disso, processos contábeis estruturados facilitam a integração com novas tecnologias sem transformar cada inovação em um novo risco operacional.

Veja como escolher um sistema contábil para organizar melhor as informações e evitar erros na rotina contábil.

Essa organização não substitui políticas de segurança ou análise jurídica, mas cria uma base muito mais sólida para utilizar tecnologia com controle.

A inteligência artificial pode ajudar o escritório a ganhar produtividade

A discussão regulatória não deve fazer o contador olhar para a IA apenas como um risco.

Pelo contrário, ferramentas de inteligência artificial podem reduzir tarefas repetitivas, acelerar pesquisas, auxiliar na organização de documentos e liberar tempo para atividades que exigem conhecimento profissional.

A própria ANPD reconhece que a tecnologia apresenta aplicações úteis e, ao mesmo tempo, desafios que precisam de controles adequados.

Assim, o objetivo não é evitar a IA.

O objetivo é utilizá-la de maneira responsável.

O contador precisa começar a fazer perguntas novas

A evolução da IA muda também o papel do profissional contábil.

Além de perguntar “essa informação está correta?”, será cada vez mais importante perguntar:

De onde veio esse dado?

Quem teve acesso?

Qual ferramenta processou a informação?

Para qual finalidade?

Existe algum controle sobre o processo?

Como comprovar o que aconteceu?

Dessa maneira, governança de dados e tecnologia passam a fazer parte da própria gestão do escritório.

Regulação da inteligência artificial já está saindo do papel

A ANPD não está apenas discutindo uma possível regulamentação futura.

A Agência já desenvolve testes em Sandbox, publica metodologias, acompanha sistemas de IA e produz evidências sobre riscos e medidas de proteção.

Por isso, empresas e escritórios não precisam esperar uma nova lei para começar a organizar seus processos.

Quanto antes o escritório identificar quais ferramentas utiliza, quais dados compartilha e quais controles possui, mais fácil será adaptar a operação às novas exigências.

A Ledware acompanha as transformações tecnológicas que impactam a rotina contábil e empresarial, ajudando profissionais a trabalhar com informações mais organizadas e processos mais estruturados.


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