78% dos contadores já usam IA: seu escritório está preparado para a próxima fase?
Pesquisa da IOB, Fenacon e CFC mostra que a inteligência artificial já entrou na rotina contábil, mas revela desafios em capacitação, dados e segurança
A IA na contabilidade deixou de ser uma promessa. Uma pesquisa nacional realizada pela IOB em parceria com a Fenacon e o CFC mostra que 78% dos profissionais contábeis já utilizam ferramentas de inteligência artificial pelo menos uma vez por semana. Além disso, 53% afirmam usar IA diariamente. O levantamento ouviu 393 profissionais de todas as regiões do Brasil.
O dado mais interessante, porém, não está apenas na frequência de uso.
A pesquisa mostra que os profissionais esperam uma mudança no próprio papel do contador. Ao mesmo tempo, surgem preocupações com segurança, capacitação e qualidade dos dados.
Em outras palavras: a IA já chegou aos escritórios. A questão agora é saber como utilizá-la sem perder controle sobre a informação contábil.

IA na contabilidade já faz parte da rotina dos escritórios
A pesquisa revela uma adoção muito mais avançada do que poderia parecer.
Dos profissionais entrevistados, 78% utilizam IA ao menos semanalmente, enquanto 53% utilizam a tecnologia todos os dias. Além disso, 69% dos participantes trabalham em empresas de contabilidade.
Assim, os números não representam apenas uma tendência observada em grandes empresas de tecnologia.
A inteligência artificial já está entrando diretamente na rotina dos escritórios contábeis.
Por isso, para quem ainda trata IA como algo distante, os dados servem como um alerta: o mercado já começou a mudar.
Por que os contadores estão adotando inteligência artificial?
Os principais problemas apontados pelos profissionais ajudam a explicar essa rápida adoção.
Entre os maiores desafios da rotina estão:
- 34% — excesso de retrabalho manual;
- 20% — falta de tempo para análise e consultoria;
- 17% — dificuldade de integração entre sistemas e dados;
- 15% — erros humanos em tarefas repetitivas.
Dessa forma, a IA aparece exatamente onde o escritório mais sente pressão: nas tarefas operacionais.
Automatizar atividades repetitivas pode liberar tempo para conferências mais importantes, análise de informações e atendimento consultivo.
Entretanto, existe uma diferença entre automatizar uma tarefa e automatizar um processo com segurança.
IA não está substituindo o contador. Está mudando o trabalho
A percepção dos profissionais reforça essa mudança.
Segundo a pesquisa, 58% acreditam que a inteligência artificial aumentará o valor estratégico do contador. Outros 29% entendem que algumas funções serão automatizadas, mas o profissional continuará essencial para interpretar informações e tomar decisões. Apenas 2% enxergam a IA como uma ameaça ao trabalho humano.
Portanto, o movimento mais provável não é o desaparecimento do contador.
É a redução do trabalho operacional e o aumento da importância das atividades que dependem de análise, interpretação e relacionamento com o cliente.
O contador que sabe interpretar dados ganha importância
A pesquisa também mostra quais competências devem ganhar espaço nos próximos anos.
Os profissionais apontaram:
32% — interpretação de dados
21% — pensamento crítico
20% — comunicação e consultoria
20% — tomada de decisão estratégica.
Assim, quanto mais tarefas repetitivas entram no campo da automação, maior tende a ser o valor das competências que a tecnologia não substitui facilmente.
O contador deixa de ser apenas o profissional que registra e confere.
Ele passa a ocupar cada vez mais espaço como intérprete das informações.
Mas existe um problema: muitos profissionais ainda sabem pouco sobre IA
A adoção acelerou mais rápido que a capacitação.
Embora 78% dos participantes utilizem IA pelo menos semanalmente, 62% classificam seu próprio conhecimento sobre a tecnologia como básico. Apenas 5% afirmam ter conhecimento avançado.
Além disso, 68% afirmam que seus escritórios ou empresas não oferecem capacitação sobre IA. Somente 12% já possuem treinamentos específicos.
Por isso, existe uma situação curiosa no mercado:
o contador já está usando IA, mas muitas empresas ainda não prepararam o ambiente para esse uso.
O maior risco pode não estar na IA, mas nos dados
Esse é um dos pontos mais importantes para um escritório contábil.
A inteligência artificial pode analisar grandes quantidades de informação. Porém, se os dados utilizados estiverem incorretos, incompletos ou desorganizados, a resposta também pode apresentar problemas.
O presidente do CFC, Joaquim Bezerra, chamou atenção justamente para esse ponto ao destacar que algoritmos podem produzir decisões equivocadas quando recebem dados ruins.
Dessa maneira, a qualidade da informação passa a ser ainda mais importante.
Não adianta ter uma ferramenta sofisticada se a base utilizada contém erros.

Segurança dos dados também preocupa os contadores
A pesquisa mostra que os profissionais estão atentos aos riscos.
Entre as principais preocupações estão:
- 33% — vazamento de dados de clientes;
- 22% — uso indevido de informações confidenciais;
- 22% — decisões automatizadas sem supervisão humana.
Ao mesmo tempo, 83% dos entrevistados dizem sentir-se muito ou razoavelmente confiantes quanto à segurança das ferramentas que utilizam.
Isso demonstra que a discussão não é simplesmente “usar IA ou não usar”.
A questão é quais dados podem ser utilizados, em qual ferramenta e com quais controles.
IA na contabilidade depende de uma boa estrutura de informação
Imagine um escritório com informações espalhadas em planilhas, documentos, sistemas diferentes e controles paralelos.
Agora imagine tentar utilizar IA nesse ambiente.
Antes de melhorar o processo, a tecnologia pode encontrar dificuldade para entender qual informação é realmente confiável.
Por isso, integração e organização de dados passam a ser uma etapa fundamental da transformação digital.
A IA pode aumentar a velocidade da operação.
Entretanto, quem determina a qualidade do resultado continua sendo a qualidade da informação utilizada.
Seu escritório está preparado para usar IA de verdade?
Não basta possuir acesso a uma ferramenta de inteligência artificial.
O escritório precisa ter processos organizados, informações confiáveis e uma estrutura que reduza a fragmentação dos dados.
Além disso, quanto maior a carteira de clientes, maior tende a ser o impacto de processos manuais e informações duplicadas.
Esse é o ponto em que IA e sistema contábil se encontram: a tecnologia precisa de uma base operacional organizada para entregar resultados consistentes.
Automação e IA não são a mesma coisa
Esse também é um ponto importante para os gestores de escritório.
A automação tradicional executa tarefas a partir de regras previamente definidas.
A inteligência artificial consegue lidar melhor com determinadas situações que envolvem interpretação, classificação e identificação de padrões.
Assim, as duas tecnologias podem trabalhar juntas.
Um escritório pode automatizar processos estruturados e, paralelamente, utilizar IA para apoiar atividades que exigem análise de grandes volumes de informação.
O futuro da contabilidade será mais estratégico
A pesquisa aponta uma direção clara.
Conforme tarefas repetitivas são automatizadas, aumentam as oportunidades para atividades que dependem de interpretação e relacionamento.
Por isso, a vantagem competitiva tende a migrar da capacidade de executar grandes volumes de tarefas para a capacidade de transformar dados em decisões.
Esse movimento pode mudar inclusive a forma como o escritório vende seus serviços.
Em vez de ser visto apenas como responsável por obrigações, o contador pode assumir uma posição mais consultiva.
O que um escritório deveria fazer agora?
A preparação pode começar sem esperar uma nova tecnologia.
Primeiramente, o escritório deve mapear as tarefas que mais consomem tempo.
Depois, precisa identificar quais atividades podem receber automação.
Em seguida, vale definir regras para utilização de ferramentas de IA e tratamento de dados.
Também é importante capacitar a equipe e estabelecer processos de revisão humana.
Por fim, o escritório precisa verificar se seus sistemas realmente conseguem organizar e integrar as informações utilizadas no trabalho.
A pergunta não é mais se o contador vai usar IA
Os dados da pesquisa mudam o debate.
78% já usam IA semanalmente. 53% usam diariamente.
Ao mesmo tempo, 62% consideram seu conhecimento básico e 68% dizem que seus escritórios não oferecem treinamento.
Portanto, a próxima vantagem competitiva não estará simplesmente em “ter IA”.
Ela estará em saber onde usar, como controlar e como integrar a tecnologia à rotina contábil.
O contador que conseguir combinar conhecimento técnico + interpretação de dados + tecnologia + visão consultiva terá uma posição cada vez mais relevante.
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Veja como a automação contábil pode reduzir retrabalho e aumentar a produtividade do escritório.
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