Lucro Real ou Lucro Presumido em meio do ano: vale a pena revisar o regime tributário em 2026?

A escolha entre Lucro Real e Lucro Presumido é feita uma vez por ano, no início do exercício, mas o resultado dessa escolha aparece trimestre a trimestre. Em junho, com o segundo trimestre fechando, muitos empresários percebem: “podia ter escolhido o outro regime — estou pagando mais imposto do que precisaria”.

Este guia mostra o que dá para fazer em junho de 2026 se você está no regime errado, em quais casos vale planejar a troca para 2027, e como o sistema contábil ajuda a simular cenários antes de decidir.

Posso trocar de regime em meio do ano?

Resposta direta: não. O regime tributário (Lucro Real, Lucro Presumido, Simples Nacional, Lucro Arbitrado) é definido no primeiro pagamento do ano-calendário (DARF/DAS de janeiro) e vale para o ano inteiro. A única exceção é o desenquadramento compulsório do Simples Nacional ou casos específicos previstos em lei.

Mas isso não significa que junho seja perdido. É exatamente em junho — com 2 trimestres já apurados — que dá para projetar o ano fechado e decidir o regime para 2027 com base em dados reais.

Lucro Real x Presumido 2026

Como simular: o exercício prático

Pegue os números reais do 1º e 2º trimestres de 2026 e calcule o imposto que você pagaria nos dois regimes:

No Lucro Presumido, calcule: faturamento bruto × percentual de presunção (8% comércio/indústria, 32% serviços) × (15% IRPJ + 9% CSLL + adicional 10% se aplicável) + PIS/Cofins regime cumulativo (3,65%).

No Lucro Real, calcule: lucro contábil ajustado × (15% IRPJ + 9% CSLL + adicional 10%) + PIS/Cofins regime não-cumulativo (9,25%) com créditos.

O cenário que dá menos imposto, com margem razoável, é o regime indicado para 2027.

Quando o Lucro Real vence

Vale Lucro Real quando: margem real é menor que a presumida (você fatura muito mas tem custo alto), há grande volume de créditos de PIS/Cofins, há prejuízo fiscal acumulado para compensar, há despesas dedutíveis significativas (folha, depreciação, financeiros).

Empresas industriais, importadoras e comércio com margem apertada costumam economizar muito no Lucro Real.

Quando o Lucro Presumido vence

Vale Lucro Presumido quando: margem real é maior que a presumida, custos administrativos são baixos, há poucos créditos a aproveitar, simplicidade administrativa importa. Prestadores de serviços com margem alta e custo baixo são o caso clássico.

Reforma Tributária e a escolha em 2027

A escolha em 2027 também precisa considerar a Reforma Tributária: CBS entra em vigor com alíquota plena, PIS e Cofins se extinguem. Para entender o cronograma completo, vale a leitura sobre Reforma Tributária: o que os escritórios contábeis precisam se preparar agora.

O que fazer em junho de 2026

Quatro ações imediatas:

(1) Simule a apuração consolidada do ano em ambos os regimes com os dados reais do 1º semestre.

(2) Identifique se o regime atual está custando imposto extra.

(3) Documente o cálculo comparativo para apresentar ao cliente/sócios.

(4) Coloque na agenda de janeiro de 2027 a opção pelo regime certo — com base em dados, não em “feeling”.

Como o sistema contábil ajuda

Sistema contábil moderno simula cenários tributários em poucos cliques. O LedContábil roda apuração comparativa entre Lucro Real e Presumido com os dados que já estão no sistema — sem montar planilha à parte. Ferramenta poderosa para conversas estratégicas com clientes.

Conclusão

Junho não é hora de trocar de regime, mas é a melhor hora de descobrir se você estará no regime certo em 2027. Empresas que rodam a simulação comparativa em meio do ano fecham dezembro com a decisão tomada, sem pressa nem “achismo”.

Quem só descobre no DARF de janeiro de 2027 que escolheu errado paga doze meses de imposto a maior. Não compensa.

Leitura recomendada: IRPJ trimestral em junho 2026: prazo, base de cálculo e erros.


Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.