Brasil acompanha transformação global das práticas tributárias

Transformação tributária, digitalização fiscal, inteligência artificial e compliance ganham espaço nas empresas brasileiras

A transformação tributária avança no Brasil e acompanha uma tendência observada em diferentes países, marcada pela digitalização fiscal, pelo uso de dados, pela inteligência artificial e pelo aumento das exigências de compliance. É o que aponta a pesquisa 2026 Global Tax Policy, realizada pela Deloitte com 1.010 executivos seniores das áreas tributária e financeira de grandes empresas em 28 jurisdições.

Segundo o levantamento, a complexidade regulatória e as exigências de compliance e reporte estão entre os principais desafios enfrentados pelas empresas no mundo. Cerca de 40% dos entrevistados apontaram esses fatores como os de maior impacto sobre os negócios.

Além disso, preocupações tradicionalmente associadas ao sistema tributário brasileiro, como complexidade, estabilidade regulatória e segurança jurídica, também ganharam importância em outros mercados.

Transformação tributária avança com a digitalização fiscal

O Brasil já utiliza diversas ferramentas de administração tributária digital há anos. Entre elas estão a nota fiscal eletrônica, as obrigações acessórias digitais e o envio estruturado de informações ao Fisco.

Nesse contexto, o Sistema Público de Escrituração Digital (SPED) também exerce papel importante. Criado há cerca de duas décadas, o sistema ajudou a organizar e digitalizar um grande volume de informações fiscais, contábeis e tributárias.

Com isso, o desafio das empresas passa a envolver cada vez menos a simples coleta de dados. Por outro lado, cresce a necessidade de transformar essas informações em análises capazes de apoiar decisões.

Nesse cenário, a transformação tributária passa a depender cada vez mais da capacidade das empresas de organizar, integrar e analisar seus próprios dados fiscais.

A experiência acumulada pelo Brasil também aproxima o país de outros mercados que avançam na digitalização das administrações tributárias.

Brasil acompanha a transformação tributária global

De acordo com a análise da Deloitte, países da Europa e da Ásia continuam ampliando o uso de tecnologias nos sistemas fiscais.

Ao mesmo tempo, algumas práticas adotadas no Brasil apresentam características semelhantes às observadas internacionalmente.

Nesse cenário, o país vem alinhando determinadas normas a diretrizes da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), incluindo regras relacionadas ao Pilar 2 e aos preços de transferência.

Além disso, executivos consultados pela Deloitte identificam uma aproximação gradual entre modelos tributários de diferentes países.

Portanto, as empresas brasileiras precisam acompanhar não apenas as regras nacionais, mas também as mudanças que influenciam padrões internacionais de tributação e reporte.

Segundo a Deloitte, a digitalização e a crescente complexidade regulatória estão mudando as prioridades das áreas tributárias em diferentes mercados.

Transformação tributária amplia o uso de inteligência artificial

A digitalização também cria condições para ampliar o uso de inteligência artificial na área fiscal.

Outra pesquisa da Deloitte, intitulada Tax do Amanhã, aponta que 86% das empresas participantes no Brasil já possuem algum nível de automação em operações fiscais e tributárias.

Além disso, 36% utilizam aplicações de inteligência artificial na área.

A existência de dados estruturados facilita esse processo. Sistemas capazes de organizar informações fiscais permitem automatizar tarefas repetitivas e melhorar a análise de grandes volumes de dados.

Além disso, a transformação tributária pode mudar a rotina dos profissionais da contabilidade ao reduzir tarefas repetitivas e ampliar o espaço para análises estratégicas.

Dessa maneira, os profissionais podem reduzir o tempo dedicado à coleta e à conferência manual de informações.

Ao mesmo tempo, o trabalho tributário pode ganhar um caráter mais analítico e estratégico.

Reforma Tributária aumenta necessidade de integração

A transformação digital também ganha importância diante da Reforma Tributária do Consumo.

A implementação do IBS e da CBS exige que as empresas revisem seus sistemas, cadastros, documentos fiscais e processos internos.

Além disso, diferentes áreas precisam compartilhar informações de maneira consistente. Fiscal, contabilidade, financeiro, tecnologia e gestão passam a depender ainda mais de dados integrados.

Por isso, empresas com sistemas desconectados podem enfrentar maiores dificuldades durante a adaptação.

Nesse cenário, a digitalização tributária deixa de ser apenas uma ferramenta operacional e passa a fazer parte da estratégia de conformidade.

Transformação tributária aumenta exigências de compliance

Outro ponto destacado pelo levantamento é o avanço das exigências de compliance tributário.

Para 84% dos líderes consultados, a divulgação pública de informações tributárias deve continuar aumentando nos próximos anos.

Assim, as empresas precisam se preocupar não apenas com o cumprimento das obrigações. Também devem garantir que as informações apresentadas ao Fisco sejam completas, consistentes e compatíveis entre diferentes sistemas.

Além disso, os processos internos precisam permitir rastreabilidade e identificação rápida de eventuais divergências.

Consequentemente, controles de qualidade de dados, revisão de processos e monitoramento das obrigações tendem a ganhar ainda mais espaço nas estruturas tributárias.

A OCDE também acompanha a evolução das regras internacionais relacionadas à tributação e à transparência fiscal.

Complexidade regulatória se torna um desafio global

Durante muito tempo, a complexidade tributária apareceu como uma característica frequentemente associada ao Brasil.

Entretanto, os resultados da pesquisa mostram que esse problema também ganhou relevância em outros mercados.

A expansão das obrigações digitais pode aumentar a quantidade de informações exigidas das empresas. Ao mesmo tempo, novas regulamentações podem exigir atualizações frequentes nos processos internos.

Por isso, as empresas precisam equilibrar duas necessidades: acompanhar novas normas e manter suas operações eficientes.

Nesse sentido, tecnologia, automação e profissionais especializados podem ajudar a reduzir o impacto operacional provocado pelo aumento das exigências.

O papel da contabilidade também está mudando

A transformação tributária também altera a atuação dos profissionais da contabilidade.

Com sistemas mais automatizados, atividades repetitivas podem ocupar menos tempo das equipes. Consequentemente, os profissionais podem dedicar mais atenção à análise de dados, identificação de riscos e planejamento tributário.

Além disso, o contador passa a participar de decisões relacionadas à qualidade dos dados utilizados pela empresa.

Isso significa que o conhecimento técnico continua fundamental, mas precisa ser combinado com domínio de tecnologia, análise de informações e gestão de processos.

Empresas precisam preparar seus processos tributários

Diante desse cenário, as empresas brasileiras devem avaliar a estrutura utilizada para controlar suas informações fiscais.

Primeiramente, é importante verificar se os sistemas conseguem integrar dados contábeis, fiscais e financeiros.

Depois, a empresa pode identificar tarefas repetitivas que permitem automação.

Também é importante revisar cadastros, controles e processos de conferência.

Além disso, a preparação para a Reforma Tributária exige atenção às atualizações dos sistemas e às novas regras relacionadas ao IBS e à CBS.

Dessa forma, a empresa consegue reduzir retrabalho e melhorar a qualidade das informações utilizadas na tomada de decisões.

Brasil pode aproveitar experiência acumulada na digitalização

A experiência brasileira com documentos fiscais eletrônicos e obrigações digitais pode representar uma vantagem diante da transformação global.

O país construiu uma infraestrutura relevante de dados tributários ao longo das últimas décadas.

Agora, o desafio envolve utilizar essa estrutura de maneira mais estratégica.

Isso significa avançar da simples transmissão de informações para modelos que permitam análise, automação, previsão de riscos e melhoria dos processos tributários.

Ao mesmo tempo, as empresas precisam acompanhar os padrões internacionais que influenciam a regulamentação brasileira.

Transformação tributária exige tecnologia e compliance

A pesquisa da Deloitte mostra que a transformação das práticas tributárias não ocorre apenas no Brasil.

Complexidade regulatória, digitalização, inteligência artificial, transparência e compliance passaram a fazer parte da rotina de empresas em diferentes países.

A experiência acumulada com o SPED e os documentos fiscais eletrônicos oferece uma base importante para essa evolução.

Por isso, a transformação tributária não envolve apenas novas obrigações. Ela também exige mudanças na tecnologia, nos processos internos e na qualificação das equipes.

A Reforma Tributária adiciona novas exigências e aumenta a necessidade de integração entre tecnologia, contabilidade e gestão.

A Ledware oferece soluções para gestão contábil e empresarial, ajudando empresas e escritórios a organizar informações, automatizar processos e acompanhar mudanças nas rotinas fiscais e tributárias.

Fonte: Deloitte.


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